Durante um resgate registrado pelo biólogo Christian Raboch Lempek, de Jaraguá do Sul, no Norte catarinense, o comportamento de “se fingir de morto” de um gambá (ou saruê) chamou a atenção nas redes sociais do especialista.
O registro mostrou o animal deitado e com a língua para fora. “Tadinho dele, vamos embora, então”, brincou o biólogo. Logo em seguida o vídeo mostra o gambá se levantando e indo embora.
Tanatose
O gambá foi encontrado na famosa tanatose, um comportamento natural que alguns animais têm para despistar predadores.
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Segundo o Instituto Butantan, a palavra vem do grego “thánatos”, que significa morte, e “ose”, que se refere a estado ou condição. Inclusive, na mitologia grega, Tânatos é o deus da morte.
Outros animais também fazem a tanatose, como alguns roedores, répteis (inclusive cobras), esquilos e até peixes.
Veja o vídeo:
O gambá foi encontrado na famosa tanatose, um comportamento natural que alguns animais têm para despistar predadoresVídeo: Divulgação/Christian Raboch Lempek/ND Mais
Importância dos gambás
Os registros dos resgates publicados pelo biólogo nas redes sociais também têm o objetivo de conscientizar a população sobre a espécie, frequentemente alvo de ações humanas que acabam resultando em sua morte.
Em Joinville, no Norte catarinense, os resgates de gambás registraram um aumento considerável. Passaram de 261 em 2024 para 528 de janeiro a setembro de 2025, de acordo com os Bombeiros Voluntários.
Na natureza, eles controlam pragas e se alimentam de escorpiões, aranhas e serpentes e ainda espalham sementes por meio das fezes. Além disso, não oferecem riscos para os humanos.
O aumento, segundo o veterinário Vinícius Dalle-Court, especialista em animais silvestres e exóticos, tem explicação direta: comida fácil e espaço urbano em expansão.
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Na natureza, eles controlam pragas e se alimentam de escorpiões, aranhas e serpentes – Gilberto Ademar Duwe/@biologo.giba/NDFoto 1 de 3
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Na natureza, eles controlam pragas e se alimentam de escorpiões, aranhas e serpentes – Fujama/DivulgaçãoFoto 2 de 3
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Na natureza, eles controlam pragas e se alimentam de escorpiões, aranhas e serpentes – Reprodução/Internet/NDFoto 3 de 3
“Os alimentos estão mais disponíveis nas cidades. Lixo, restos de comida, até pessoas que alimentam esses animais. Então eles acabam ficando por aqui, onde o alimento está mais acessível”, explica.
Além disso, Vinícius ressalta que a maior conscientização da população, que passou a acionar o resgate com mais frequência tem contribuído para o aumento do número de resgates acionados.
Entre os registros mais inusitados, há gambás presos em muros, escondidos em motores de carros, cômodos, piscinas e até caídos em caixas d’água. Em um dos casos, um animal ficou preso na grade de uma casa e precisou ser resgatado pela Polícia Militar Ambiental.
“A ideia é garantir que ele sobreviva e evitar acidentes. Se o animal estiver bem, basta observá-lo de longe. Caso esteja preso, aí sim chamamos o resgate”, orienta o 2º sargento Luiz Henrique Ribeiro D’Arede, da Polícia Ambiental.










